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OURO FM 87,9
Home»Entretenimento»Como o My Chemical Romance conquistou jovens que não eram nascidos no auge da banda
Entretenimento

Como o My Chemical Romance conquistou jovens que não eram nascidos no auge da banda

fevereiro 5, 2026Nenhum comentário0 Visitas


My Chemical Romance em foto de divulgação da turnê ‘Black Parade’
Divulgação
Nesta quinta e sexta (5 e 6), o My Chemical Romance se apresenta no Brasil pela primeira vez em 18 anos. Os shows celebram o clássico disco “The Black Parade” (2006), mas o público esperado não se restringe só aos saudosos. Aliás, alguns fãs não eram nem nascidos na época do lançamento do álbum.
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Para quem vê de fora, esse é um fenômeno meio difícil de explicar. Afinal, o My Chemical Romance teve seu auge vinte anos atrás. O grupo não seguiu tocando nas rádios com frequência suficiente para conquistar novos ouvintes e esteve em hiato nos anos 2010. E mesmo assim, uma nova geração descobriu e “adotou” o grupo de forma surpreendente. Entenda como o MCR conquistou o público jovem:
Todos os caminhos levam ao My Chemical Romance
Assim como outras bandas que fizeram turnês de retorno, como o Oasis e o RBD, uma parte do público jovem “herdou” o gosto pelas músicas. É comum ver fãs novos que aprenderam a ouvir a banda com seus pais ou irmãos mais velhos — eles, sim, viveram o auge desses grupos na juventude.
Mas além disso, o rock e suas vertentes vêm ganhando fôlego entre as gerações mais novas graças às redes sociais, principalmente o TikTok. E nisso, estilos como o emo e o pop-punk largaram na frente.
Banda My Chemical Romance em 2011
Divulgação
Em um momento de ansiedade geral pós-pandemia, a estética “dark” e melancólica de grupos como o My Chemical Romance casou bem com a insegurança sentida mundialmente. A banda virou trilha de “edits” e se tornou, mais uma vez, porta-voz das angústias dos adolescentes.
(Aliás, a banda tem uma origem parecida: o MCR surgiu após o 11 de setembro, quando a insegurança e a ansiedade eram as palavras de ordem.)
Também surgiram artistas jovens nesses estilos, como Willow, Yungblud e Machine Gun Kelly. Eles ajudaram a reapresentar o estilo para as novas gerações, e quem se interessou dificilmente ficou só nas novidades. Até porque não é o “emo” só um subgênero musical: é uma comunidade, com uma cultura específica e um cânone, do qual o My Chemical Romance faz parte.
No fim, todos os caminhos levam ao My Chemical Romance. Nomes como Julien Baker, do Boygenius, Twenty One Pilots e Billie Eilish já exaltaram (alguns fizeram até versões) o grupo.
Até Cardi B é fã assumida da banda. “Não se fazem mais músicas como essa”, publicou a rapper no X em 2022, com um vídeo da faixa “I’m Not Okay (I Promise)”.
Gaten Matarazzo (‘Stranger Things’) e Billie Eilish com camisetas do My Chemical Romance
Reprodução/Instagram
Para os jovens, sensíveis e ‘excluídos’
Uma coisa é descobrir o My Chemical Romance, outra é passar a amar. Se o primeiro tem a ver com os tempos atuais, o segundo passa por um fator quase atemporal.
Gerard Way no clipe de ‘Helena’
Reprodução/YouTube
Apesar da banda não curtir muito o rótulo, o MCR é uma pedra fundamental do “emo”. O estilo, também chamado de emocore, se diferencia por fundir a sonoridade do rock com composições dramáticas, focadas em desabafos e sentimentos profundos. Ou seja, tem apelo jovem por definição.
Para um adolescente com as emoções à flor da pele, bandas como My Chemical Romance, Fall Out Boy e Good Charlotte são irresistíveis. Não à toa, um dos maiores sucessos do MCR se chama “Teenagers” e virou um hino dos adolescentes incompreendidos.
Mas ao mesmo tempo que as músicas eram deprê ou raivosas, o My Chemical Romance fala também sobre saúde mental. Em seus discursos, Gerard Way, vocalista da banda, sempre pregava que os fãs se cuidassem “e não fossem violentos”.
“Se você estiver deprimido, machucado, se sentindo excluído, como se o único lugar que você se encaixa é num show como esse… esse não é o caso. Porque apesar de sermos todos ‘excluídos’, somos excluídos do nosso jeito. Todos nós cabemos neste mundo. Diga o que você tem a dizer, mas nunca com violência”, dizia Gerard Way em shows nos anos 2000.
Além disso, enquanto algumas vertentes do rock pregavam o caos e uma masculinidade destrutiva, os artistas “emo” tinham sensibilidade. Com um discurso de pertencimento, saúde mental e tolerância, o My Chemical Romance atraiu muitos fãs que se sentiam “excluídos”.
“A diferença que queremos fazer é, em primeiro lugar, mostrar a essas crianças que elas não estão sozinhas, que na verdade não são tão problemáticas assim e que podem fazer o que quiserem. Elas podem se expressar como quiserem sem serem perseguidas ou chamadas de ‘viado’ ou algum outro termo racista”, disse o vocalista em uma entrevista de 2006.
Esse discurso soava autêntico também porque vinha de uma banda que se vestia de forma “estranha”, longe da persona inacessível e atraente que um ídolo costuma ocupar. O MCR também brincava com normas de gênero: nos clipes e no palco, Gerard sempre usou maquiagem e teve um jeito menos “machão” que o típico rockstar. Por isso, não vai faltar fã de lápis de olho e sombra preta nos shows no Brasil.
My Chemical Romance
Divulgação
No fim das contas, é até engraçado lembrar que a máxima do emo é “não é só uma fase”. Realmente não é, já que a “fase My Chemical Romance” atravessa gerações e está durando mais de duas décadas. E ao que tudo indica, vai encher estádios nesses próximos dias.
My Chemical Romance no Brasil
5 e 6 de fevereiro
Horário: 21h
Local: Allianz Parque
Endereço: Av. Francisco Matarazzo, 1705 – Água Branca, São Paulo – SP, 05001-200

Fonte: G1 Entretenimento

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