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Home»Entretenimento»Diogo Nogueira evolui entre a gafieira e o pagode no balanço de ‘Infinito samba’
Entretenimento

Diogo Nogueira evolui entre a gafieira e o pagode no balanço de ‘Infinito samba’

março 2, 2026Nenhum comentário0 Visitas


Diogo Nogueira estreia na casa Vivo Rio, no Rio de Janeiro, o show ‘Infinito samba’, cuja turnê seguirá por outras capitais do Brasil
Lucas Teixeira / RT Fotografia / Divulgação
♫ CRÍTICA DE SHOW
Título: Infinito samba
Artista: Diogo Nogueira
Data e local: 1º de março de 2026 na casa Vivo Rio (Rio de Janeiro, RJ)
Cotação: ★ ★ ★ ★
♬ “Infinito samba” é o show mais ambicioso de Diogo Nogueira no que diz respeito à produção. Em cena, o cantor carioca divide o palco com a própria banda, a Orquestra MPB Jazz e os bailarinos da companhia de dança do coreógrafo Leandro Azevedo em turnê que seguirá por várias capitais do Brasil após ter estreado no Rio de Janeiro (RJ) na noite de ontem, domingo, 1º de março.
A ideia de celebrar o samba em todas as vertentes em roteiro que vai da gafieira à roda de pagode ao estilo Fundo de Quintal, passando pelo batuque seminal do samba da Bahia, pelo partido alto e pelo sambalanço, está longe de ser original. Contudo, calcado no carisma do artista junto ao público feminino e na força da voz que já em nada lembra o cantor titubeante de 20 anos atrás, Diogo Nogueira consegue prender a atenção da plateia sem se perder diante da grandiosidade da produção e sem anular o sentimento.
A emoção inclusive se impõe em cena no dueto virtual de Diogo com o pai João Nogueira (1941 – 2000) em “Espelho” (1977) e no encontro com o filho, Davi Nogueira, na sequência imediata, para dividir o canto de “Além do espelho” (1992), perpetuando a dinastia.
Diogo Nogueira estreia show com orquestra, bailarino e projeções de imagens associadas ao samba
Ricardo Nunes / Divulgação Vivo Rio
Turbinado com projeções de imagens que potencializam a sensação de suntuosidade alimentada pela produção, “Infinito samba” é show longo que roça as três horas de duração e – a julgar pela apresentação que lotou a casa Vivo Rio na estreia nacional da turnê – deixa por vezes a sensação de que uma ou outra música sobra no roteiro.
São os casos de “Coisas do amor (Me chama)” (Diogo Nogueira, Claudemir e Rodrigo Leite, 2025) – tentativa vã de evocar o sentimento soul das grandes baladas do repertório de Tim Maia (1942 – 1998) – e da deslocada abordagem do funk melody “Garota nota 100” (Michael Sullivan e Paulo Massadas, 1998), sucesso de MC Marcinho (1977 – 2023), com toque de samba. E até mesmo do canto de “Olha” (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1975) na cadência de samba-canção meio bolero – número romântico que parece ter sido criado para atiçar o séquito feminino do cantor.
Ainda assim, verdade seja dita, “Infinito samba” se firma como um dos grandes momentos da trajetória de Diogo Nogueira nos palcos. Sob a direção musical de Jota Moraes, Diogo Nogueira rege um show em que a orquestra cai no balanço do samba em vez de fazer o samba se enquadrar na moldura sinfônica.
Diogo Nogueira faz dueto com o filho, Davi Nogueira, na música ‘Além do espelho’
Rodrigo Goffredo
Com 52 músicas alocadas ao longo de 29 números, contando com o bis que inclui o festivo hit “Pé na areia” (Rodrigo Leite, Diogo Leite e Cauíque, 2016), pedido pelo público, o roteiro do show “Infinito samba” abre com o canto a capella de “Para ver as meninas” (1971), aquele samba em que Paulinho vislumbra o infinito com o poder da criação.
Desse belo ponto de partida em diante, Diogo encadeia sucessos próprios e alheios entre algumas músicas inéditas como “Joga na minha cara” (2026) e “Todo apaixonado tem um plano” (2026).
Música situada entre o sambalanço e o pagode dos anos 1990, “Joga na minha cara” prepara o clima para que o palco se transforme em salão de gafieira com a entrada dos bailarinos enquanto Diogo canta “Noites a bailar” (2026) – típico samba de gafieira – e “Domingo” (Alexandre Pires e Fernando Pires, 1993), um dos primeiros sucessos do grupo de pagode Só pra Contrariar.
Em “Quem vai chorar sou eu” (Serginho Meriti e Rodrigo Leite, 2013), Diogo Nogueira dança com os bailarinos em movimento que se afina com o balanço do medley posterior que encadeia os sambas “Sem compromisso” (Geraldo Pereira e Nelson Trigueiro, 1944), “Sou eu” (Ivan Lins e Chico Buarque, 2009) e “Batendo a porta” (João Nogueira e Paulo César Pinheiro, 1974).
Diogo Nogueira interage no show ‘Infinito samba’ com os bailarinos da companhia de dança do coreógrafo Leandro Azevedo
Rodrigo Goffredo
Entre o discurso social de “Uma saudade” (2026), samba lento sobre o luto imposto às famílias que perdem entes queridos na violência cotidiana da selva das cidades, e a armação de roda de samba ao estilo Fundo de Quintal (momento feito somente com a banda do cantor, sem a orquestra), Diogo Nogueira procura cair no suingue de Jorge Ben Jor com “Menina mulher da pele preta” (1974) e “Mas que nada” (1963), este um samba que sempre surte efeito na plateia.
Entre reverências a Alcione (convidada da estreia em dueto com o anfitrião no hit “Sufoco”, música de Chico da Silva lançada pela cantora em 1977), Beth Carvalho (1946 – 2019), Clara Nunes (1942 – 1983) e Martinho da Vila, de quem o cantor rebobinou “Disritmia” (1974), o show “Infinito samba” celebra o gênero e os bambas em roteiro calcado em sucessos geralmente infalíveis enquanto firma a força popular de Diogo Nogueira e mostra a evolução do cantor com produção opulenta orquestrada sob direção artística de Rafael Dragaud.
Justiça seja feita, aos 44 anos, 20 anos após ter se lançado como cantor profissional em 2006, fazendo o circuito de casas de samba da Lapa (bairro boêmio do Centro da cidade do Rio de Janeiro), Diogo Mendonça Nogueira já fez o próprio nome na história do samba, sem depender da herança nobre do pai que jamais deixou de reverenciar em cena.
Alcione canta ‘Sufoco’ com Diogo Nogueira na estreia do show ‘Infinito samba’ na casa Vivo Rio
Ricardo Nunes / Divulgação Vivo Rio

Fonte: G1 Entretenimento

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