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Home»Entretenimento»‘Avatar: Fogo e cinzas’ é montanha-russa estonteante na qual história é mero adendo; g1 já viu
Entretenimento

‘Avatar: Fogo e cinzas’ é montanha-russa estonteante na qual história é mero adendo; g1 já viu

dezembro 16, 2025Nenhum comentário0 Visitas


‘Avatar 3’ é uma montanha-russa das boas
Não dá mais para apostar contra James Cameron, cineasta criador de uma das franquias cinematográficas mais rentáveis de todos os tempos. “Avatar: Fogo e cinzas”, terceiro filme da série protagonizada por alienígenas azuis, tem tudo o que resultou no sucesso de seus antecessores elevado à enésima potência – para o bem e para o mal.
O novo capítulo do projeto-fetiche do diretor estreia nesta quinta-feira (18) nos cinemas brasileiros como uma evolução gráfica impressionante e gritante, mesmo apenas três anos após “O caminho da água” (2022).
A essa altura, não dá para negar que ninguém vai ver um “Avatar” pela trama. Assim como uma boa montanha-russa, o público quer mesmo é se deliciar pelos altos e baixos de uma aventura estonteante e cheia de inovações tecnológicas – mesmo que já saiba de cor o começo e o fim da jornada.
Responsável por três das cinco maiores bilheterias da história, Cameron sabe muito bem disso e reage de acordo. Até por isso, trata o roteiro como mero adendo à obra de orçamento milionário.
Em entrevista ao g1 (publicada em breve), o cineasta falou sobre como filmes 2 e 3 inicialmente eram um só – algo tão evidente que deveria ter continuado dessa forma.
A grande batalha final parecida com uma fusão meio incongruente das duas conclusões anteriores certamente se destaca, mas é muito menos grave do que a sucessão de situações iniciadas ou resolvidas por mera conveniência ou exércitos inteiros que desaparecem sem explicação.
Dito isso, a lua paradisíaca de Pandora e os felinos humanóides azuis Na’Vi nunca foram tão bonitos. Para a grande maioria – a mesma que deu quase US$ 3 bilhões em bilheterias para o primeiro filme e US$ 2,3 bilhões para o segundo –, provavelmente basta.
“Fogo e cinzas” é maior, mais visualmente deslumbrante e mais desenfreado que os anteriores. Isso tem também suas vantagens.
Por um lado, tem mais espaço para fios soltos, sentimentalismo forçado e até clichês de filmes sobre confrontos com povos indígenas que beiram o ofensivo.
Por outro, permite que o vilão ressuscitado – talvez o maior problema de “O caminho da água” – dê uma volta completa no absurdo e se torne um de seus pontos altos.
Totalmente entregue à sua trama de assimilação da nova tribo apresentada, Stephen Lang se diverte tanto como o clone do implacável coronel Quaritch que provoca um prazer genuíno com sua atuação sem qualquer tipo de controle ou vergonha.
Oona Chaplin em cena de ‘Avatar: Fogo e cinzas’
Divulgação
Mais água que fogo
Não se deixe enganar pelo título. Por mais que “Fogo e cinzas” faça referência à tribo hostil de Na’Vis fanáticos introduzida, o terceiro filme é mesmo uma continuação mais direta do segundo.
Por isso, tem muito mais água do que seu título dá a entender.
Para não cair no quase inevitável reino dos spoilers, basta dizer que a história continua a focar no antigo soldado reencarnado como um dos alienígenas que ele deveria espionar (Sam Worthington).
Para proteger os mares de seu novo planeta da ambição inesgotável dos colonizadores humanos, ele busca novos e antigos aliados – ao mesmo tempo em que precisa lidar com a delicada nova dinâmica familiar após a perda de seu filho mais velho (Jamie Flatters).
James Cameron conseguiu novamente
O valor da famosa obsessão de Cameron por revoluções tecnológicas se mostra em toda a sua glória em cada quadro de “Fogo e cinzas”. Em pouco tempo, é fácil ver porque foram necessários três anos entre este e o anterior, por mais que ambos tenham sido filmados ao mesmo tempo.
Stephen Lang e Jack Champion em cena de ‘Avatar: Fogo e cinzas’
Divulgação
Pode ser repetitivo, mas a lua de Pandora, onde a história se passa, nunca foi tão bela com sua fauna e flora bioluminescentes. Em uma tela gigante – e com os níveis corretos de luz, como o cineasta gosta sempre de lembrar –, os Na’Vi parecem ainda mais vivos.
Com poros à mostra e músculos cada vez mais realistas, eles favorecem a captura de performance dos atores, que ganham desafios dramáticos um pouco mais à altura.
Se Lang ganha um personagem mais à vontade com sua nova forma, a sempre competente Zoe Saldaña volta a ter uma Neytiri mais complexa e importante, novamente uma líder tribal e familiar acima da heroína de uma nota só de “O caminho da água”.
Infelizmente, o resto do roteiro não acompanha a evolução e mais uma vez depende de conveniências grandes demais para serem ignoradas.
Por mais que a busca dos vilões pelos mocinhos seja um dos grandes motores da narrativa, sempre que o roteiro precisa de um grande confronto eles os encontram quase que por mágica – apenas para voltarem a ficar completamente perdidos ao final da batalha.
Aposta improvável
Mas talvez o problema mais incômodo de “Fogo e cinzas” seja a adoção do Povo das Cinzas, uma tribo de saqueadores.
Zoe Saldaña em cena de ‘Avatar: Fogo e cinzas’
Divulgação
Oona Chaplin (“Game of thrones”) até dá um pouco de dignidade à líder xamânica, mas a representação dos indígenas ambiciosos que escalpelam seus inimigos é tão complexa quanto a de filmes de faroeste dos anos 1950.
Com mais de três horas de duração, os personagens acrescentam pouco à trama além de uma desculpa para o título e poderiam ser retirados com facilidade sem grandes prejuízos à trama.
No fim, os quase 400 minutos dos dois filmes poderiam ser resumidos em duas horas e meia muito mais bem resolvidas. Mas por que lucrar em um os bilhões que podem ser arrecadados com o fechamento de uma trilogia?
Apesar de tudo, “Fogo e cinzas” é certamente o mais impressionante dos três. Pode não ser o melhor, mas será, sem dúvidas, o suficiente para garantir que a franquia chegue aos cinco capítulos prometidos.
Eu não aposto mais contra James Cameron. Alguém aí ainda aposta?
Cartela resenha crítica g1
Arte/g1

Fonte: G1 Entretenimento

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